Do setor · Europa
A Europa do adulto se premiou em Amsterdã
Uma noite de gala, categorias de direção e atuação, e um prêmio de carreira para a casa francesa que atravessou meio século. O que uma cerimônia conta sobre um setor.
No domingo, 14 de setembro, o Theater Amsterdam lotou para a cerimônia dos Euro XMAs 2026, os prêmios europeus do entretenimento adulto organizados pela publicação americana XBIZ. Teve tapete vermelho, apresentações e uma lista longa de categorias — e, vista de fora, a noite foi exatamente o que parece: uma indústria criativa fazendo o que as indústrias criativas fazem quando se levam a sério.
Vale a pena prestar atenção nas categorias que existem. Além dos prêmios de artista e de criador, houve três prêmios de direção — obra narrativa, obra não narrativa e obra individual —, um prêmio de atuação e um de melhor filme. Foram premiados, entre outros, a diretora Julia Grandi, o diretor Marcello Bravo e a francesa Clémence Audiard; o prêmio de melhor filme ficou com Pull, da Vixen Media Group. Nada disso é vocabulário de um negócio improvisado: é o vocabulário de quem escreve, filma, edita e dirige atores.
As casas que ficaram
O prêmio de carreira da noite foi para Marc Dorcel — o nome por trás da produtora francesa que é, há décadas, uma das marcas mais reconhecíveis do audiovisual adulto europeu. A mesma casa levou o prêmio de paysite do ano, com o DorcelClub. Não é um detalhe menor: numa indústria que muita gente imagina feita de gente de passagem, o que a noite premiou foi sobretudo permanência.
O padrão se repete em outras categorias. O site da tcheca Little Caprice foi premiado pelo quarto ano consecutivo; a Lustery, plataforma de vídeo caseiro feito por casais reais, foi premiada no ano em que completa uma década; a Katie Summer venceu sua categoria pela terceira vez seguida. Quem dura, ganha — e quem dura, neste meio, dura porque construiu uma relação de confiança com quem o acompanha.
Não é difícil aparecer e dar a cara por quem nos faz ganhar dinheiro.
Leah Koons, diretora da Fansly, no palco
A frase veio no discurso de uma das plataformas premiadas, e é a coisa mais interessante que se disse na noite. Num setor em que a distância entre quem produz e quem monetiza costuma ser grande, dizê-la em voz alta, num palco, é uma posição — e é a posição certa.
O que uma cerimônia revela
Prêmios são, por natureza, uma convenção: servem para a indústria se olhar no espelho e decidir o que quer valorizar. Por isso importa menos quem ganhou do que o que ganhou. Em Amsterdã foram premiadas direção, atuação, longevidade e responsabilidade de plataforma. Foi premiado, em resumo, o padrão — a mesma palavra que, do nosso lado do negócio, separa uma curadoria de um catálogo.
Catherine Knight, ao receber o prêmio de artista feminina do ano, resumiu sem cerimônia: «é por isso que trabalhei tanto todos esses anos». É uma frase que qualquer profissional de qualquer ofício reconheceria.
Entre o palco de Amsterdã e os classificados da Europa há menos distância do que parece: muita gente atravessa os dois mundos ao longo de uma carreira. Mas essa é outra história — e não cabe a nós contá-la.
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Uma indústria se conhece pelo que premia. Esta, nesta noite, premiou quem fica.
Fontes: XBIZ — cobertura da cerimônia dos Euro XMAs 2026 (data, local, categorias, vencedores e declarações citadas). Foto: Emre Gencer / Pexels. O Apartado X não tem nenhuma ligação com a organização destes prêmios.